verão e sensualidade

 

Dois corpos escondidos em águas transparentes, longe da verdade nesse verão inexistente.

Deixa este olhar passear na tua pele como o sol, desejo de ser língua, todo língua embrulhada em saliva, a passear no teu corpo, nu, mas tu vestida, envolta numa seda que te despe, sem cor,

reduzo-me a ser olhos e mãos e língua, envolto no teu pano, seda, como a tua pele,

via a nudez imaginária, despia tudo, mesmo os sonhos, e nas minhas mãos só os quereres e tu minúscula, pousada nas minhas palmas como um segredo, e cabes nas minhas mãos, toda… sonho-me em ti, os meus dedos dentro de ti, e a língua e o sexo e sempre longe do fim. O teu corpo é um mapa circular, nunca chego, nunca acabo, nunca me canso, vivo em ti, dentro e fora, entro e saio. Sussurras o meu nome, saio de ti, pouso no meu ouvido, como se não houvesse mundo, nem saída, nem fim, nem longe, nem precipício, como se não houvesse nada mais, és o meu mapa e sei que não chego, vou na tua pele por entre seda, vou em ti imaginada, seda ausente, mapa inexistente, qual pele? E tu… onde estás?

E eu cheio de querer… mas num vazio.

(janeiro 2016 – publicado no facebook “inspire-se na imagem” verão e sensualidade)

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